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Regulação SP188 para Baterias de Lítio, Sanções ao Irã e Seca no Reno

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A semana foi marcada por pressões simultâneas que testam a previsibilidade das cadeias globais. No Oriente Médio, novas sanções à aviação iraniana e ataques a petroleiros voltam a empurrar o petróleo acima dos US$ 100, acelerando o tráfego no Canal de Suez. Ao mesmo tempo, na Europa, o Rio Reno enfrenta nova queda crítica de calado, sobrecarregando o transporte rodoviário e estendendo os prazos de pré-transporte para quem importa do continente.

Em paralelo, a BYD acelera investimentos em frotas próprias e fábricas locais para driblar a escassez de navios, enquanto entidades marítimas apertam o cerco regulatório às baterias de lítio. No Brasil, o escrutínio do Cade e os sucessivos adiamentos do Tecon 10 em Santos expõem os nós da infraestrutura portuária, somando-se à vulnerabilidade de uma pane técnica que cancelou milhares de voos no Reino Unido. Confira os principais destaques da semana.

Você vai ler hoje:

  • ✈️ Sanções à aviação e petróleo em disparada: a pressão sobre o frete, a escalada em Ormuz e a rota pelo Canal de Suez.
  • 🌊 Alerta no Rio Reno: nova queda de calado em Kaub, corrida pelo transporte rodoviário na Europa e os reflexos para os embarques ao Brasil.
  • 🚗 Efeito BYD no mercado global: metas audaciosas de exportação, escassez de navios dedicados e aposta em produção local.
  • 🔋 Cerco às baterias de lítio: armadores e entidades marítimas pedem regras rígidas e classificação de carga perigosa à OMI.
  • ⚓ Santos e o Tecon 10: o escrutínio do Cade sobre o acordo MSC-Maersk, os sucessivos adiamentos e os custos da inação portuária.
  • 🛫 Caos aéreo no Reino Unido: pane técnica no controle britânico cancela milhares de voos e reacende cobranças da IATA sobre infraestrutura.

✈️ Sanções à aviação iraniana ampliam o alerta de compliance e os custos logísticos

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Os Estados Unidos impuseram um novo pacote de sanções econômicas direcionado a todo o setor de aviação do Irã, atingindo 36 alvos que incluem 27 companhias aéreas iranianas e empresas de apoio logístico sediadas em países como Emirados Árabes Unidos, Turquia, Malásia e Cazaquistão. A medida busca interromper o uso de aeronaves comerciais para o transporte de cargas estratégicas pelo governo de Teerã e estabelece severas repercussões para quem mantiver vínculos comerciais com essas transportadoras.

A nova rodada eleva significativamente o risco operacional. As diretrizes do Office of Foreign Assets Control (OFAC) preveem sanções secundárias mesmo para empresas que apoiem indiretamente as companhias penalizadas, aplicando o critério de que o operador "deveria ter conhecimento" da operação ilícita. O endurecimento regulatório impõe auditorias mais rígidas em contratos de manutenção, peças sobressalentes e rotas de trânsito, afetando conexões que utilizam grandes hubs de carga aérea como Dubai, Doha e Istambul.

Enquanto isso... a escalada militar empurra o barril de volta aos três dígitos

O reflexo da tensão geopolítica não demorou a atingir o mercado de energia. A disputa entre Washington e Teerã intensificou-se com a maior onda de ataques navais das últimas semanas nas proximidades do Estreito de Ormuz, envolvendo o afundamento de cinco petroleiros iranianos e ataques de retaliação contra cerca de dez embarcações, com vítimas entre tripulantes civis e alertas emitidos pela agência britânica UKMTO.

A consequência nos preços foi imediata: o petróleo Brent disparou e superou a marca de US$ 108 por barril, enquanto o WTI avançou acima de US$ 102. A disparada ocorre mesmo diante de previsões da Opep que indicam crescimento moderado da demanda mundial, reforçando que o prêmio de risco atual é prioritariamente geopolítico. O cenário de cautela se agrava com o avanço de milícias houthis rumo ao Estreito de Bab al-Mandeb, rota estratégica que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, levantando temores sobre novos repasses para os custos de frete, combustíveis e inflação global.

A pressão sobre o frete e o impacto no Canal de Suez

Com a navegação comprometida em Ormuz e ameaças recorrentes na entrada sul do Mar Vermelho, a rota marítima internacional voltou a ser redirecionada. Dados oficiais indicam que o tráfego no Canal de Suez registrou um salto de 42% na receita em julho, alcançando US$ 505 milhões, impulsionado pelo trânsito de 1.340 embarcações (alta anual de 27%), das quais 526 foram navios-tanque que optaram pelo escoamento setentrional.

Esse redirecionamento em massa, entretanto, evidencia a fragmentação e o estresse estrutural que afetam as cadeias de abastecimento globais. A proliferação de rotas alternativas e de frotas opacas que operam à margem de seguradoras eleva o custo logístico global e aumenta a incerteza para o comércio marítimo. Essa pressão atinge de forma mais severa as pequenas e médias empresas, que dispõem de menor poder de barganha para absorver sobretaxas de combustível e atrasos de trânsito.

🚗 Expansão global da BYD desafia capacidade da frota de transporte marítimo

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A montadora BYD estabeleceu a meta de vender mais de 2,5 milhões de veículos no exterior até 2027, consolidando sua ofensiva internacional para além do mercado doméstico chinês. O avanço já se reflete no balanço da empresa: no primeiro semestre de 2026, as receitas obtidas no exterior superaram as vendas internas pela primeira vez, respondendo por 52% do faturamento total da fabricante.

O crescimento das exportações automotivas, no entanto, enfrenta um gargalo de infraestrutura logística: a escassez de navios dedicados ao transporte de veículos. Para mitigar a falta de espaço, que limitou embarques no início do ano e forçou o transporte provisório em contêineres, a BYD acelerou a formação de uma frota naval própria de car-carriers. A montadora opera atualmente oito embarcações próprias e duas afretadas de grande porte, além de negociar novos acordos de afretamento para navios de até 8.200 CEUs.

Paralelamente ao investimento na malha marítima, a fabricante diversifica suas bases industriais fora da China para aproximar a produção dos mercados consumidores. A planta em Camaçari, na Bahia, caminha para atingir capacidade anual de 300 mil veículos, complementando operações que já tiveram início na Indonésia e a unidade em fase de instalação na Hungria.

🔋 Cerco regulatório: entidades marítimas pedem classificação de baterias de lítio como carga perigosa

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A segurança no transporte marítimo de baterias de lítio entrou no centro da pauta regulatória global. Com a demanda por baterias de íon-lítio multiplicando-se por seis nos últimos cinco anos — e projeção da Agência Internacional de Energia (AIE) de dobrar até 2030 —, uma coalizão liderada pelo World Shipping Council (WSC), BIMCO, ICS e cinco governos submeteu à Organização Marítima Internacional (OMI) um apelo urgente para fechar as brechas de segurança no transporte marítimo desse componente.

O debate será avaliado na reunião da Subcomissão de Cargas e Contêineres da OMI, em Londres, entre 14 e 18 de setembro, e tem como alvo a revisão da Provisão Especial 188 (SP188) do Código IMDG. Pela regra atual, dispositivos eletrônicos com baterias menores são isentos de documentação de risco, mas não há teto para a consolidação de unidades em um mesmo contêiner. Na prática, um único lote com 4.200 notebooks pode carregar cerca de 416 kWh de energia acumulada — o equivalente a quatro carros elétricos — sem qualquer sinalização externa ou declaração de mercadoria perigosa.

Essa invisibilidade impede armadores de planejar a correta estivagem a bordo e segregar os lotes de outras cargas inflamáveis, agravando uma lacuna de segurança que hoje resulta na alarmante média de um incêndio a bordo a cada 17 dias. A proposta em discussão prevê fixar limites máximos de densidade por unidade de carga: volumes acima desse patamar passarão a exigir declaração obrigatória no momento do booking e rotulagem específica, reconfigurando os processos de embarque da cadeia eletrônica internacional.

🌊 Rio Reno volta a perder nível e transfere pressão para as rodovias europeias

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A trégua hídrica nas principais hidrovias da Europa durou pouco. Com o retorno do tempo seco, as réguas do Rio Reno voltaram a recuar rapidamente, forçando embarcações a navegar com capacidade reduzida e provocando um novo salto nas cotações do frete fluvial.

O gargalo se concentra no trecho crítico de Kaub — principal referência para a navegação comercial no Reno Médio. Por lá, o nível medido recuou para cerca de 21 cm nesta sexta-feira (11), após oscilar entre 25 cm e 29 cm nos dias anteriores, aproximando-se perigosamente das mínimas históricas registradas em agosto. Na prática, barcaças operam com apenas uma fração da sua capacidade nominal, exigindo mais viagens para movimentar o mesmo volume e mantendo ativas as cobranças de sobretaxas por águas baixas (low water surcharges). No transporte de derivados e granéis líquidos entre Roterdã e Karlsruhe, o frete por tonelada saltou de cerca de € 100 para a faixa de € 165 a € 170 em apenas uma semana.

Rodovias sobrecarregadas e regras afrouxadas na Alemanha

Sem conseguir escoar todo o volume pelas águas, as indústrias voltaram a correr para o transporte terrestre. Essa migração súbita, no entanto, esbarra na escassez crônica de motoristas e em um déficit de carretas adequadas no mercado europeu — especialmente porta-contêineres (skeletal trailers), frotas de lonados e pranchas pesadas para cargas industriais.

O aperto no escoamento ficou tão evidente que estados alemães precisaram suspender temporariamente a proibição de circulação de caminhões aos domingos e feriados, tentando evitar que insumos essenciais ficassem represados. Ao mesmo tempo, operadores que dependem dos portos de Roterdã e Antuérpia enfrentam pátios interiores cada vez mais cheios e janelas de trânsito mais lentas, em um momento em que as redes logísticas europeias já operam sob tensão com a aproximação de picos sazonais globais.

O reflexo prático para quem importa da Europa

Para as cargas que saem da Alemanha, Holanda, Bélgica, Suíça e Áustria em direção ao Brasil, esse estrangulamento continental traz impactos diretos na rotina operacional:

  • Pré-transporte mais lento: maior tempo para posicionar contêineres vazios e realizar coletas em fábricas e terminais do interior.
  • Custos terrestres em alta: a necessidade de transbordos entre barcaça, trem e caminhão, combinada às sobretaxas hidroviárias, encarece a ponta inicial do frete.
  • Antecipação indispensável: com os terminais interiores congestionados, antecipar instruções de embarque e garantir bookings com folga tornou-se essencial para não perder a janela do navio nos portos marítimos.
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⚓ O xadrez do Tecon 10 no Cade e os gargalos estruturais em Santos

A concorrência no Porto de Santos voltou ao centro das atenções após o presidente do Cade, Diogo Thomson de Andrade, determinar o envio ao plenário do Conselho do acordo prévio entre MSC e Maersk para a disputa do Tecon 10. O termo de concentração, aprovado inicialmente pela Superintendência-Geral do órgão, prevê que a empresa vencedora do leilão alienará sua participação no Brasil Terminal Portuário (BTP) à concorrente, atendendo à diretriz de desinvestimento.

A presidência do Cade, contudo, apontou preocupações com a governança da operação, destacando a ausência de um prazo decadencial para a concretização da medida, já que o leilão ainda não possui data definitiva. A operação também enfrenta questionamentos da concorrente ICTSI, que alega risco de divisão antecipada do mercado portuário local.

Oito adiamentos e a urgência de infraestrutura em Santos

A incerteza regulatória reflete o histórico desafiador de ampliação da capacidade de contêineres no principal porto do país:

  • Histórico de adiamentos: concebido em 2019 e qualificado no PPI como antigo STS10, o leilão do Tecon 10 já acumula oito adiamentos oficiais decorrentes de mudanças de governo e revisões de modelagem concorrencial, mantendo indefinida a realização do certame em 2026.
  • Divergência de diretrizes: o projeto oscilou entre o formato em duas fases defendido pela Antaq (restringindo operadores atuais em uma etapa inicial) e diretrizes da Casa Civil para ampliar a concorrência sem bloqueios prévios.
  • Prejuízos no escoamento: sem novos leilões de terminais de contêineres desde 2013, o Porto de Santos opera próximo do limite. De acordo com o Cecafé, a saturação de espaço gerou um prejuízo logístico de R$ 66 milhões aos exportadores em 2025. O gargalo estrutural já havia ficado evidente em 2024, quando, diante de uma safra recorde, Santos respondeu pelo escoamento de apenas 65% da produção nacional — o menor percentual dos últimos anos, frente à sua fatia habitual de 75% a 80%.
  • Paralisação da dragagem: somando-se às incertezas do terminal, entidades do setor alertaram o TCU sobre o impacto econômico bilionário decorrente da suspensão cautelar do contrato de dragagem de R$ 620 milhões da Jan de Nul. A interrupção das obras para aprofundar o canal de 15 para 16 metros perpetua filas de espera e custos de sobre-estadia de navios.

⚓ Giro pelos Portos:

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🛫 Falha técnica no controle aéreo do Reino Unido causa cancelamentos em série e mobiliza a IATA

A malha aérea do Reino Unido enfrentou severas perturbações operacionais após uma pane técnica no sistema de processamento de planos de voo da NATS, provedora britânica de navegação aérea. A interrupção no centro de Swanwick limitou as decolagens e resultou no cancelamento de mais de 2.000 voos e atrasos generalizados em aeroportos estratégicos como Heathrow, Gatwick, Manchester e Stansted, gerando reflexos em voos por toda a Europa e atingindo mais de 300 mil passageiros.

O episódio provocou forte reação de entidades internacionais. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) cobrou reformas urgentes e medidas concretas das autoridades britânicas, destacando que três incidentes de grande porte em quatro anos evidenciam fragilidades estruturais. A entidade argumentou que os custos operacionais de cancelamentos, reacomodações e assistência devem recair sobre os provedores de infraestrutura responsáveis, e não sobre as companhias aéreas que sofrem as consequências das paralisações.

✈️ Giro Aéreo:

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