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Quantum Insights 19 - Tarifaço dos EUA e Crise em Ormuz: O Cenário do Comércio Exterior Brasileiro

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A semana foi de fortes emoções e reconfigurações profundas para o mercado global e nacional. O grande destaque fica por conta do "tarifaço" confirmado pelos EUA sobre produtos brasileiros, que promete redesenhar as prioridades da nossa pauta exportadora a partir dos próximos dias. Para complicar o cenário internacional, o fim do cessar-fogo entre Washington e o Irã voltou a incendiar o Estreito de Ormuz, colocando o preço do petróleo e o custo do frete marítimo global sob forte pressão.

No front interno, a correria no Congresso garantiu a aprovação da MP do Frete após paralisações em Santos. Enquanto isso, a Receita Federal aperta o cerco na fiscalização de preços de transferência e compras internacionais e o Brasil lidera um marco histórico rumo à integração do céu sul-americano.

Você vai ler hoje:

  • ⚖️ Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
  • 🛢️ Ormuz sob fogo: Fim de cessar-fogo entre EUA e Irã reacende tensão global
  • 🚛 MP do Frete: Congresso aprova nova regra após paralisação em Santos
  • 🧾 Receita Federal: fiscalização de preços de transferência e novo capítulo do Remessa Conforme
  • CMA CGM acelera frota e registra maior crescimento no primeiro semestre
  • ✈️ Céu Azul: Brasil avança em acordo de integração aérea com a América do Sul

⚖️ Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

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O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma extensa lista de produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho. A decisão encerra uma investigação de cerca de um ano, aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e retaliar práticas comerciais consideradas desleais.

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Segundo o USTR, a investigação identificou sete áreas em que políticas brasileiras "oneram ou restringem" o comércio dos EUA. O governo brasileiro rebateu ponto a ponto essas alegações, em documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira. Sobre o Pix, argumentou que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas de qualquer origem, citando a atuação de companhias como Google Pay e Visa no país. Sobre as decisões judiciais envolvendo redes sociais, defendeu que elas seguem a legislação brasileira e se aplicam igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. Em nota oficial, o Planalto classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países e anunciou que vai acionar os instrumentos da Lei de Reciprocidade Econômica, além de retomar o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que fica de fora e o que é taxado

Apesar da abrangência da medida, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves, celulose, laranja e suco de laranja ficaram isentos, mais de 1,6 mil códigos tarifários ao todo. A lista de produtos taxados inclui etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel, aço e açúcar orgânico. A permanência da carne bovina na lista de isenções chama atenção especialmente por ser um dos produtos mais exportados pelo Brasil aos EUA, mesmo em meio a investigações abertas pelo governo americano sobre concentração de mercado em frigoríficos que operam nos dois países.

Um segundo tarifaço em análise

Em paralelo, os EUA avaliam uma sobretaxa adicional de 12,5% para 60 economias, entre elas o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. Caso as duas medidas sejam aplicadas de forma cumulativa, a tarifa total sobre parte das exportações brasileiras pode chegar a 37,5%. Segundo dados do Global Trade Alert, compilados pelo St. Gallen Endowment, se a tarifa de 25% for mantida, o Brasil passaria da 13ª para a 2ª posição entre os países mais tarifados pelos EUA, atrás apenas da China — com uma tarifa média efetiva subindo de 11,73% para 14,9%.

O que vem a seguir

O governo americano sinalizou que a tarifa pode ser revista caso o Brasil altere as práticas questionadas, mas o Itamaraty já classificou os principais pontos — Pix, etanol e regulação de plataformas — como não negociáveis. Produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ingressar nos EUA até 29 de julho sem a sobretaxa. A partir daí, o desfecho da disputa deve depender tanto da continuidade das negociações bilaterais quanto da resposta formal do Brasil via Lei de Reciprocidade e OMC. Enquanto o Ministério da Fazenda projeta impacto macroeconômico reduzido, citando a resiliência das exportações e a diversificação de mercados, entidades setoriais traçam um cenário de alerta: a Amcham estima que a medida alcance US$ 11 bilhões em exportações, e a CNI e Fiesp criticam a condução da diplomacia, prevendo perda de competitividade. Em Santa Catarina, o quadro é crítico: estudo da FIESC aponta que 54,5% da pauta exportadora do estado será afetada pelas novas alíquotas. O capítulo deve se estender ao longo do segundo semestre, sob forte pressão industrial.

🛢️Ormuz sob fogo: Fim de cessar-fogo entre EUA e Irã reacende tensão global

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Horas depois de classificar como encerrado o cessar-fogo fechado com o Irã em junho, os Estados Unidos retomaram os bombardeios contra o território iraniano durante a cúpula da Otan em Ancara. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), a ofensiva teve como objetivo "enfraquecer ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz". Ao longo da semana, mais de 80 alvos iranianos foram atingidos, entre sistemas de defesa aérea, radares e embarcações da Guarda Revolucionária. O Irã confirmou a morte de ao menos 30 civis e sete militares nos ataques recentes.

Irã ameaça abrir uma segunda frente

Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz seguirá fechado "até o fim dos males dos Estados Unidos" e ameaçou fechar outros corredores de exportação que beneficiem os EUA e seus aliados. Analistas ouvidos pela Reuters apontam que o Irã pode acionar os aliados houthis, no Iêmen, para fechar também o Estreito de Bab-el-Mandeb, rota que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden — um movimento que, segundo autoridades houthis, poderia levar o petróleo a US$ 200 o barril. Por Ormuz passa hoje cerca de um quinto de todo o petróleo e gás comercializado no mundo.

Olhando à frente

Com o memorando de entendimento firmado em junho classificado por especialistas como "completamente morto", analistas descrevem o conflito como uma guerra de desgaste sem data para terminar — o que deve manter tanto o preço do petróleo quanto o custo do frete marítimo sob pressão nas próximas semanas, com reflexo direto sobre a inflação e os custos de importação no Brasil.

🚛 MP do Frete: Congresso aprova nova regra após paralisação em Santos

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O Senado aprovou, na terça-feira (14), a Medida Provisória 1.343/2026, que altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário, um dia antes do prazo final para que a proposta não perdesse validade. A votação ocorreu após dois dias de paralisação de caminhoneiros autônomos no Porto de Santos (SP), organizada pelo Sindicam-Santos para pressionar o Senado a votar o texto.

O que muda na prática

O texto mantém a obrigatoriedade de um piso mínimo para o frete, mas retira do Congresso a atribuição de fixar valores — o Senado excluiu, por considerar inconstitucional, o piso salarial de R$ 5 mil mensais que havia sido incluído na Câmara dos Deputados. A MP endurece as punições para empresas que descumprirem a tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com multas de até R$ 1 milhão, suspensão e cancelamento de registro em casos de reincidência. O texto também prevê anistia a multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações em 2022, ponto que o líder do governo no Congresso já sinalizou que o presidente Lula deve vetar.

Uma medida sem consenso

Representantes de transportadoras criticam a forma como a MP foi construída. Para Danilo Guedes, CEO da ABC Cargas, o texto incorporou pontos sem relação direta com a pauta original dos autônomos — caso do piso salarial de R$ 5 mil para motoristas empregados e da obrigatoriedade de pagamento do frete em até 30 dias — e foi decidido sem a participação de sindicatos patronais e transportadoras. Segundo o tributarista Felipe Azevedo Maia, o efeito mais relevante deve aparecer em 2027, quando a fiscalização mais rígida do piso mínimo deve elevar o valor médio dos fretes justamente no momento em que termina a desoneração do diesel — hoje uma renúncia fiscal de cerca de R$ 20 bilhões — e começa a transição da Reforma Tributária, com a entrada da CBS. Maia chama esse cruzamento de fatores de "tempestade tributária em 2027". O agronegócio deve estar entre os setores mais expostos, já que mais de 70% da produção agrícola é transportada por rodovias.

O que isso muda daqui pra frente

Com a paralisação encerrada e a MP a caminho da sanção presidencial, o próximo capítulo da discussão se desloca do Legislativo para o efeito prático sobre custos: a combinação entre fiscalização mais rígida do piso, fim da desoneração do diesel e Reforma Tributária deve ser o fator determinante para o preço do frete rodoviário a partir de 2027.

🧾 Receita Federal amplia fiscalização sobre comércio exterior e remessas internacionais

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A Receita Federal deve iniciar nos próximos meses as primeiras fiscalizações do novo regime de preços de transferência, em vigor desde a Lei nº 14.596/2023. Os primeiros alvos devem ser operações com commodities — que respondem por cerca de 60% das exportações brasileiras, como minério de ferro, petróleo, açúcar, café, celulose e grãos — e subsidiárias brasileiras de multinacionais que registram prejuízo recorrente enquanto as controladoras no exterior concentram a rentabilidade do grupo.

Novas obrigações

A fiscalização será reforçada pelo Registro de Transações com Commodities (RTC), documento que passa a ser exigido mensalmente das empresas enquadradas nas novas regras. A Receita também deve olhar com atenção para as chamadas "distribuidoras de risco limitado" — modelo em que a subsidiária brasileira atua como braço comercial e logístico enquanto os riscos financeiros ficam concentrados na matriz no exterior — e para transações envolvendo ativos intangíveis, como tecnologia e propriedade intelectual, área ainda pouco regulamentada no país.

O outro lado da fiscalização: remessas internacionais

No mesmo campo de atuação do Fisco sobre o comércio exterior, o coordenador da Coordenação Operacional Aduaneira da Receita Federal, Fabricio Betto, defendeu, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o programa Remessa Conforme aumentou a transparência sobre as compras internacionais que chegam ao país. Segundo ele, antes de 2023, o modelo tradicional de remessa postal permitia o registro de apenas uma parte das encomendas, criando o que classificou como um "buraco negro" de informações. Com o imposto de importação e as multas do programa, a arrecadação somou R$ 4,7 bilhões em 2025 e já chega a R$ 2,5 bilhões no acumulado até junho de 2026. Uma segunda versão do Remessa Conforme está prevista para janeiro de 2027, com fluxo direto de dados entre plataformas e Receita, sem intermediários, e a possibilidade, ainda em estudo, de adoção do split payment para compras internacionais.

Uma tendência que se confirma

Os dois movimentos, fiscalização de preços de transferência e reforço do Remessa Conforme, indicam uma mesma direção: a Receita Federal amplia o alcance de suas ferramentas de rastreamento sobre operações internacionais, tanto do lado das grandes exportadoras quanto das compras de consumidores individuais, em um momento em que o comércio exterior brasileiro já enfrenta pressão externa por tarifas e frete.

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⚓ CMA CGM acelera frota e registra maior crescimento no primeiro semestre

A armadora francesa CMA CGM consolidou-se como a companhia de navegação de maior crescimento relativo no primeiro semestre de 2026. Segundo dados da consultoria Alphaliner, o grupo expandiu sua frota em 235.500 TEUs (+5,7%), superando o ritmo de expansão da líder global MSC no período. Com uma capacidade operacional próxima de 4,4 milhões de TEUs e uma robusta carteira de pedidos (1,8 milhão de TEUs), a companhia francesa não esconde a ambição de ultrapassar a Maersk e ocupar a segunda posição no ranking mundial até o final de 2027. O movimento reflete uma estratégia agressiva de renovação, focada em navios movidos a GNL e metanol, visando otimizar a competitividade nas rotas principais.

O que mais aconteceu no setor

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✈️ Céu Azul: Brasil avança em acordo de integração aérea com a América do Sul

O Brasil assinou, junto com Argentina, Chile e Paraguai, o Memorando de Entendimento sobre o Acordo de Liberalização Aérea Sul-Americana (Alas), em Assunção, na terça-feira (14). O documento estabelece as regras para a criação do Céu Único Sul-Americano — um mercado aéreo regional com maior abertura à prestação de serviços, seguindo modelos já adotados na União Europeia, na África e na Oceania. Um grupo de trabalho, formado por autoridades aeronáuticas dos países participantes, terá até 12 meses para elaborar propostas de implementação gradual. O Uruguai informou que deve aderir ao memorando posteriormente.

Voos entre terceiros países

No mesmo dia, o governo federal assinou com os três países um segundo acordo, que permite que companhias aéreas operem voos entre dois países estrangeiros sem que a rota tenha origem ou destino em seu país de registro — na prática, uma companhia aérea brasileira poderá operar, por exemplo, um voo entre Buenos Aires e Lima sem passar pelo Brasil. A portaria que regulamenta a medida já foi publicada no Diário Oficial da União. Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a intenção é ampliar o acordo para o Chile, o Uruguai e outros países da região.

Os próximos passos

A iniciativa integra a estratégia do Ministério de Portos e Aeroportos para abrir o mercado brasileiro a companhias estrangeiras e aumentar a concorrência no setor. Entre as empresas que o governo espera atrair estão as chilenas JetSMART e Sky Airline, do modelo de baixo custo. A proposta final do Céu Único Sul-Americano está em construção e deve ser apresentada em setembro, quando o governo pretende medir o interesse dos demais países da região.

O que mais aconteceu no setor

  • Expansão da GOL: Com foco em fortalecer sua malha intercontinental, a companhia planeja ampliar sua frota de jatos de dois corredores, buscando operar com pelo menos uma dezena de aeronaves de longo alcance, como o A330neo ou modelos equivalentes.
  • Retorno de gigantes em Guarulhos: Após um período de restrições devido a obras de infraestrutura, a pista auxiliar do Aeroporto Internacional de São Paulo volta a receber pousos de modelos como o Boeing 747-8 e o Airbus A380, normalizando a operação dos principais cargueiros e voos de passageiros de grande porte.
  • Radiografia da aviação global: O relatório estatístico da IATA revela que a América Latina foi a região que mais cresceu em viagens em classes premium em 2025, além de destacar a preferência global por aeronaves mais eficientes, como o A321 e o A350.
  • Custos aeroportuários: A ANAC aplicou o reajuste anual nos tetos das tarifas dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, atualização contratual que incide sobre serviços de pouso, embarque e permanência.

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